quinta-feira, 10 de abril de 2014

Texto do Dr. Alyson Muotri

Consciência autista

foto Alysson blog espiral autismoAbril é o mês da conscientização sobre o autismo, condição especificamente humana que afeta a percepção social e comunicação dos pacientes. Infelizmente, os sintomas muitas vezes são confundidos com birra, desinteresse ou falta de educação pela população leiga.

Não vejo isso como preconceito contra o autista, mas falta de conhecimento. Um dos benefícios da conscientização é justamente a quebra do estigma. O mês começa com diversas novidades sobre o assunto, inclusive dados recentes sobre a frequência de autismo na população.
Dados divulgados pelos CDC (sigla em inglês para Centros de Prevenção e Controle de Doenças) na semana passada trazem novos números sobre a prevalência de pessoas afetadas nos EUA. Um dos pontos fortes do cálculo dos CDC é que os números são baseados em métodos estatísticos idênticos, usados por mais de uma década. Os números atualizados são frutos da coleta de dados anteriores, focando em crianças com 8 anos de idade, em 11 locais diferentes. Os dados revelam a prevalência de 1 em cada 68 crianças no ano de 2010 (com base em crianças que nasceram em 2002). Dados anteriores, com crianças nascidas em 2000, geravam uma frequência de 1 a cada 88 crianças. Existe uma variação considerável entre os 11 pontos estudados: de 1 para 45 no estado de Nova Jersey até 1 para 175 no Alabama. Semelhante às estimativas anteriores, a frequência de autismo em meninos continua 5 vezes maior do que em meninas.

A prevalência de autismo tem crescido de forma alarmante: aumentou em 125% desde 2002, 29% entre 2008 e 2010. Quanto desse crescimento significa mais diagnósticos ou mais indivíduos afetados realmente é difícil de saber. Por isso mesmo, é importante ampliar os estudos para que se tenha uma visão mais precisa do tamanho do problema, além de insights sobre possíveis causas desse crescimento acelerado. Vale lembrar que um estudo feito no ano passado na Coreia do Sul usando métodos estatísticos semelhantes, mas abrangendo um população maior (com crianças de 7 a 12 anos de idade) revelou uma prevalência de 1 a cada 38 crianças. Esse número se aproxima do observado em Nova Jersey (1 para 45), um estado onde a conscientização e o diagnóstico do autismo são considerados excelentes. Seria razoável imaginar então que essa seria a frequência real de crianças autistas? Ou será que existem fatores ambientais em determinadas regiões que favorecem o autismo?
Independente do motivo desse crescimento, é certo que iremos precisar de mais serviços para atender essa população que irá crescer e resultar em adultos autistas. Aliás, o custo de vida de um indivíduo autista foi estimado em 2006 por um grupo de Harvard em U$3,2 milhões de dólares (Ganz, APAM 2007). 

Uma nova análise econômica foi feita recentemente levando-se em consideração custos educacionais e outros custos indiretos, que haviam ficado de fora na estimativa de Harvard. Os novos dados projetam um aumento de aproximadamente U$17 mil dólares por ano. Apenas 18% desse custo é relacionado com saúde. Metade é atribuída a custos educacionais. Assumindo 673 mil crianças com idades entre 3 a 7 anos diagnosticadas com autismo nos EUA, o gasto total do Estado americano com autismo é de cerca de U$11,5 bilhões por ano (Lavelle e colegas, Pediatrics 2014). Claro que os novos números do CDC irão inchar esse custo, um problema significativo para os americanos. Reconhecer o tamanho e abrangência do autismo é o primeiro passo. Investir em como solucioná-lo é o próximo.

Infelizmente, hoje em dia, com a crise nos EUA, meros US$ 100 milhões são destinados à pesquisa sobre o autismo pelo NIH - a maior agência de fomento para a ciência americana. Uma fração relativamente pequena se comparada com a verba alocada para pesquisa em câncer ou doenças neurodegenerativas. A boa notícia é que esse financiamento modesto tem dado retorno, principalmente vindo dos Centros de Excelência criados para o estudo do autismo em diversos estados americanos.

Estudo publicado na semana passada no famoso periódico cientifico “New England Journal of Medicine” (Stoner e colegas 2014) revelou alterações físicas na arquitetura cortical do cérebro de crianças autistas. O córtex frontal é uma das regiões responsáveis pelo comportamento social humano e comunicação. Diversos trabalhos anteriores já haviam correlacionado o córtex ao autismo. Essa região do cérebro é composta por seis camadas laminares, formadas durante a gestação, que ficam compactadas na caixa craniana. Células progenitoras neurais migram durante o desenvolvimento e se sobrepõem, uma a uma, conectando-se entre si e com diversas outras regiões do cérebro. O estudo, realizado pelo Centro de Excelência de Estudos do Autismo em San Diego, na Califórnia, em colaboração com o instituto filantrópico Allen, aponta defeitos nessa organização cortical em tecidos post-mortem de autistas. O córtex humano, quando esticado, tem a área equivalente a uma quadra de basquete. O fato de conseguirem detectar defeitos olhando para pedaços do tamanho de uma bolinha de gude é fenomenal.

As anomalias anatômicas são sutis e variáveis, mas presentes em 10 dos 11 cérebros analisados, todos doados para ciência pelas famílias de autistas. Apenas um dos controles apresentou defeitos semelhantes (1 em 11 analisados). Como essas camadas são formadas ainda no útero, abre-se a perspectiva de um diagnóstico pré-natal. Só não temos ainda métodos de imagem sensíveis o suficiente para detectar alterações desse porte. Além disso, os dados se somam a evidências de que o autismo começaria durante o pré-natal, mesmo os sintomas sendo detectados mais tardiamente. Obviamente, o estudo é apenas exploratório, pois o número de cérebros analisados é pequeno (um problema que pode ser melhorado com programas de conscientização cientifica e doação de órgãos para pesquisa). De qualquer forma, acho o estudo interessante, pois esses defeitos podem ter sido causados por mutações genéticas somáticas que se acumulam no cérebro durante o desenvolvimento. É o caso da atividade de retrotransposição, um fenômeno genético, mas que pode ser induzido pelo ambiente, alterando a atividade neuronal (Muotri e colegas, Nature 2010).

É verdade que o autismo ainda é um mistério. Não sabemos quando ele surge, quais as características cerebrais, ou mesmo se é uma ou são várias síndromes agrupadas por diagnósticos clínicos meramente comportamentais. Sabemos do forte componente genético do autismo. Mais de 30% dos afetados têm mutações genéticas espontâneas, a maioria não causa autismo necessariamente, mas aumenta as chances do indivíduo. Sabemos também que essa genética não é determinista. Diversos trabalhos científicos mostram que o autismo pode ser tratado ou mesmo reversível. A parte ambiental ainda é pouquíssimo estudada. Não sabemos como reagentes químicos presentes no nosso dia-a-dia interagem de forma epigenética em nosso genoma, por exemplo. Apesar de existirem tratamentos comportamentais que atuam nos sintomas do autismo, tratamentos médicos ainda são um tiro no escuro.

Acredito na individualidade do autista e numa futura medicina personalizada. Enquanto isso não se torna realidade, crianças e adultos autistas precisam de melhores serviços. A melhor forma de conseguir serviços mais eficientes é justamente através da ciência. Conforme entendemos o que acontece com o cérebro em desenvolvimento, que deixa uma criança sem comunicação, ou incapaz de interagir socialmente, estaremos melhor preparados com diagnósticos mais precoces e melhores intervenções. Conforme identificamos os diversos tipos de autismo, causados pela genética, pelo ambiente ou pelos dois, podemos esperar melhores ferramentas de prevenção e tratamento. Conforme entendemos a evolução do autismo no adulto, podemos oferecer melhor cuidado e independência.
O mês da consciência autista nos lembra o quanto é importante investir em pesquisa, principalmente em países como o Brasil, evitando o distanciamento tecnológico e moral de nossa ciência. A pressão popular por mais investimentos num tradicional governo tragicômico como o nosso é a melhor ferramenta para mudarmos essa situação.
* Legenda da foto: O pequeno Ivan Coimbra (7), autista, mostra seu charme e desenvoltura num balanço da Califórnia
* Crédito: Arquivo pessoal
fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/espiral/post/consciencia-autista.html

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Autismo já é considerado como medicamente TRATÁVEL

Tratamento Biológico Autismo
Notícia divulgada no Brasil por mim e traduzida pela minha amiga, Ana Muniz, no dia 10/12/08.

Autismo é considerado como medicamente tratável

Em abril de 2008, a Escola Americana de Medicina Genética (ACMG), reconhecida pelo conselho médico AMA, estabeleceu procedimentos de práticas clínicas a serem seguidos por geneticistas clínicos, tanto para determinar a etiologia dos casos de desordens do espectro autista (ASD) como para tratar pacientes com este diagnóstico. Este estudo, “ Desordem do Espectro Autista – associados a biomarcadores para a avaliação do caso do paciente e gestão por geneticistas clínicos “, confirma que atualmente existe uma rotina bem estabelecida, clinicamente disponível, com biomarcadores identificados que auxiliam os geneticistas clínicos a avaliar e tratar indivíduos clinicamente diagnosticado com ASD, e descreve sucintamente alguns biomarcadores reconhecidos. Dependendo da causa da ASD, estes pesquisadores descobriram que “os riscos médicos associados, podem ser identificados, o que pode levar a uma triagem e prevenção em pacientes com potencial morbidade e de outros membros da família.” A COMED Inc., associação sem fins lucrativos e, através de subsídio da Fundação Brenen Hornstein Autismo Research & Education (BHARE), sem fins lucrativos do Instituto de doenças crônicas, Inc. financiou esta pesquisa.

NOTA PESSOAL: Autismo além de já ser tratável, pode ser prevenível e reversível. Com os procedimentos adotados a partir deste estudo, reconhece-se também, sem nenhum alarde, que mercúrio é sim um agente causador de autismo.


As importantes ferramentas clínicas identificadas para avaliação médica e resposta ao tratamento monitorizado incluiu:

1. Biomarcadores de Pofirinas – ajuda a determinar se o mercúrio tóxico está presente e, quando ele for encontrado, monitora as alterações das quantidades de mercúrio, durante as terapias de desintoxicação (leia-se: quelação).
2. Biomarcadores de Transulfatação – ajuda a determinar se a suscetibilidade bioquímica ao mercúrio está presente e, quando ela for encontrada, monitora as respostas do paciente durante a suplementação com terapias nutricionais, tais como: metilcobalamina (a forma metil de vitamina B12), ácido folínico, e piroxidina (vitamina B6).
3. O estresse oxidativo/ biomarcadores de Inflamação - ajuda a determinar se há excesso de subprodutos de vias metabólicas e, quando forem encontrados, monitora os progressos dos pacientes durante a suplementação com anti-inflamatórios, como Aldactone ® (espironolactona).
4. Biomarcadores Hormonais – ajuda a determinar se alterações hormonais estão presentes e, quando forem encontrados, monitora os progressos dos pacientes durante o tratamento indicado com drogas de regulação hormonal tais como Lupron ® (acetato de leuprolide) e Yaz ® (drospirenone / ethynyl estradiol).
5. Biomarcadores de disfunção mitocondrial – ajuda a determinar se houver perturbações nos percursos de produção de energia celular e, quando forem encontrados, monitora os progressos dos pacientes durante a suplementação com drogas como a Carnitor ® (L-carnitina).
6. Biomarcadores Genéticos - ajuda a determinar se há susceptibilidade genética ou fatores causais presentes e, quando forem encontrados, fornece dicas sobre as modificações comportamentais que reduzem o impacto desses fatores genéticos.
Hoje em dia, qualquer pai, médico, ou provedor de saúde pode facilmente contratar os serviços de um geneticista clínico, que segue as orientações praticas da ACMG para avaliar e tratar pacientes diagnosticados com ASD.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Carta à uma mãe de filho autista

Achei esse texto muito legal, postado por uma mãe num grupo do facebook.

Querida mãe de filho autista
Talvez em suas procuras pelo google você parou aqui a procura desesperada por informações sobre o recente diagnóstico de seu filho.
Respire fundo. Respire fundo e chore se for preciso.

Se vc for como eu, eu te garanto algumas situações:
Agora, no início de tudo, vai ser DESESPERADOR. Não, não estou querendo te desanimar, mas é a realidade. Saiba que esse diagnóstico é um alívio. Um alívio pq provavelmente você se perguntou muito e sofreu muito se perguntando "o que há de errado com meu filho"? Provavelmente demorou muito até alguém te dar um diagnóstico. Agora ele chegou, mas ele acaba de gravar, como uma tatuagem, a palavra AUTISMO em SUA vida para SEMPRE.

Uma busca frenética vai te acometer. Você vai desesperadamente procurar por cura. E vai ouvir milhares de histórias na internet, de conhecidos, da novela, dos filmes. Vai pesquisar métodos, histórias, vai descobrir palavras novas como Sonrise, TEAACH, ABA. Vai procurar profissionais, quais e quantos e onde e quanto custa. Vai procurar os direitos, vai se convencer que vai ficar tudo bem, vai pensar no futuro e se isso ou isso outro. Vai se perguntar POR QUE EU? E pesquisando, pesquisando, o tempo vai passando e a poeira vai baixar.

E quando a poeira baixar eu te garanto que VAI DOER e você VAI SOFRER. Gostaria muito de te dizer que não, mas não posso.
Seu filho sonhado e os planos que você fez para ele acabaram de morrer. Você está se perguntando "e agora"? Você está comparando o desenvolvimento dele com outras crianças da mesma idade e você vai sofrer.

Uma única pulverização de oxitocina melhora a função cerebral em crianças com autismo

Uma única dose do hormônio oxitocina , entregues através de spray nasal , foi mostrado para melhorar a atividade cerebral durante o processamento de informações sociais em crianças com transtornos do espectro do autismo, Yale School of Medicine investigadores relatório em um novo estudo publicado no 02 de dezembro questão da Proceedings da Academia Nacional de Ciências .
"Este é o primeiro estudo a avaliar o impacto da ocitocina sobre a função cerebral em crianças com transtornos do espectro do autismo", disse o primeiro autor Ilanit Gordon, um Yale Child Study Center professor assistente adjunto , cujos colegas no estudo incluiu autor sênior Kevin Pelphrey , o Professor Harris no Centro de Estudos da Criança, e diretor do Center for Developmental Neuroscience Translational em Yale.
Gordon, Pelphrey , e seus colegas conduziram um estudo duplo- cego, controlado por placebo de 17 crianças e adolescentes com transtornos do espectro do autismo. Os participantes , com idades entre 8 e 16,5 , receberam aleatoriamente spray de oxitocina ou um spray placebo nasal durante uma tarefa que envolve julgamentos sociais. A oxitocina é naturalmente hormona produzida no cérebro e em todo o corpo ocorrendo .
"Descobrimos que os centros do cérebro associadas com recompensa e reconhecimento emoção responderam mais durante as tarefas sociais , quando as crianças receberam oxitocina em vez do placebo ", disse Gordon. " Oxitocina regiões do cérebro temporariamente normalizados responsáveis ​​pelos déficits sociais observados em crianças com autismo ."
Gordon disse que a ocitocina facilitado sintonia sociais, um processo que faz com que as regiões do cérebro envolvidas no comportamento social e cognição social ativar mais por estímulos sociais (como rostos) e ativar menos por estímulos não- sociais (como carros) .
"Nossos resultados são particularmente importantes tendo em conta a necessidade urgente de tratamentos para combater disfunção social em distúrbios do espectro do autismo ", acrescentou Gordon.
Outros autores no estudo incluem Brent C. Vander Wyk , Randi H. Bennett, Cara Cordeaux Zagoory - Sharon , James F. Leckman e Ruth Feldman .
O estudo foi financiado por uma família de Harris Professorship para Pelphrey ; uma Lee Foundation Postdoctoral Award para Gordon , e uma bolsa da Fundação para Ciência Binacional Feldman, Pelphrey , Gordon, e Leckman .


Fonte: http://news.yale.edu/2013/12/02/single-spray-oxytocin-improves-brain-function-children-autism

Sobre o Syndion

Syndion - Suplemento Vitamínico

Syndion é um antioxidante líquido multivitamínico, e formulação de suplemento mineral desenvolvido pelo Dr. Jim Adams, pesquisador do autismo da Universidade de Arizona. Syndion-SF ™ é um suplemento completo que fornece vitaminas e minerais necessários de forma que é bem absorvida e formas micellular-como esferas que fornecem vitaminas lipossolúveis em um formulário que pode ser facilmente absorvido, mesmo quando há comprometimento do pâncreas, disfunção hepática ou problemas digestivos.
 
• Contém antioxidantes importantes que reduzem o estresse oxidativo no corpo e apoiar o sistema imunitário
• Contém fontes de enxofre que patyways suporte normais transulfuration que contribuem para o status de glutationa.
 
• Contém doses adequadas de vitaminas do complexo B, ácido fólico e ácido folínico , e minerais para apoiar as vias normais de metilação que podem estar envolvidos na modificação de metais pesados, regulação da expressão gênica, regulação da função de proteínas e metabolismo de RNA
 
• Suporta caminhos para a desintoxicação natural que remove as substâncias tóxicas do corpo
 
• forma segura e eficaz aumenta os níveis de nutrientes lipossolúveis e antioxidantes
Instruções de uso: Syndion ™ podem ser tomadas diretamente pela colher ou seringa ou misturado com uma bebida. Os melhores resultados são experientes com abacaxi, abacaxi manga-suco de baga, escuro ou smoothies de frutas.
 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pai de três filhos com autismo conta como aprendeu a encarar a vida de forma otimista

“Você tem duas opções: ficar chorando na cama, lamentando uma coisa que não vai mudar ou você ir atrás de informação, de ajuda e profissionais que estejam comprometidos e informados. Eu escolhi a segunda opção”

 
pai_filho_andando (Foto: Shutterstock)
Receber um diagnóstico de autismo para um filho não é fácil para nenhuma família. Além de ter nuances desconhecidas pela ciência, o transtorno exige dedicação intensa dos pais e um investimento extra para que a criança receba os tratamentos adequados. Imagine, então, receber essa notícia três vezes. Foi o que aconteceu com Pedro*, hoje com 34 anos. Seus três filhos, de dois casamentos, têm autismo. Conversamos com ele para saber o que sentiu após receber os diagnósticos e como é a rotina com as crianças. A certeza de que há perspectivas otimistas para os meninos faz com que Pedro continue buscando ajuda e dá uma injeção de ânimo em quem vive situação parecida.

CRESCER: Como foi receber o diagnóstico pela primeira vez e como você lidou com os outros dois?
PEDRO: Eu tinha 22 anos, não era casado, mas tinha uma relação com uma mulher bem mais velha. Nós tivemos dois filhos. Ela era independente e nós não vivíamos juntos. Foi ela quem me procurou e contou que os dois meninos eram especiais [hoje eles têm 8 e 10 anos e moram com a mãe]. Mas na época ela contou que tinha um caso de problema neurológico na família e eu assumi que o problema seria da parte dela. Seguimos com nossas vidas, dando a atenção necessária aos meninos. Porém, há quatro anos eu me casei e logo em seguida tive meu terceiro filho. E há um ano e meio veio o diagnóstico: ele também era autista. Aí realmente o mundo desabou na minha cabeça porque eu percebi que a carga genética era minha.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

12 substâncias ocultas que envenenam o cérebro das crianças

Pesquisa alerta para "epidemia silenciosa" de problemas neurológicos causados por substâncias do cotidiano que "corroem a inteligência e perturbam o comportamento" dos pequenos

Do facebook da Sandra Santos

Neurotoxinas invisíveis

São Paulo – Autismo, déficit de atenção, dislexia, paralisia cerebral...A lista de problemas neurológicos que afetam milhares de crianças em todo o mundo é tão extensa quanto as ameaças ocultas do cotidiano que podem deflagrar essas disfunções.

Estudo publicado nesta semana na revista científica The Lancet Neurology alerta para "epidemia silenciosa" de perturbações neurológicas infantis causadas por substâncias invisíveis presentes em roupas, móveis e brinquedos.

Segundo a pesquisa, feita pela Escola de Saúde Pública de Harvard e a Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, a lista de químicos que, reconhecidamente, afetam o cérebro dos pequenos duplicou nos últimos sete anos, saltando de seis para doze.

São produtos químicos tóxicos que “silenciosamente corroem a inteligência, perturbam o comportamento, e minam as conquistas futuras das crianças, principalmente nos países mais pobres, que têm pouca regulamentação a respeito dessas substâncias”, avaliam os autores do texto, Philippe Grandjean e Philip J Landrigan.

Eles consideram que mesmo as atuais regulamentações dos químicos são inadequadas para proteger as crianças, cujos cérebros em desenvolvimento são particularmente vulneráveis aos produtos tóxicos presentes no ambiente.

1ª – Chumbo
As principais formas de contaminação pelo chumbo se dão pela ingestão de alimentos ou água contaminados e por inalação de partículas de poeira da substância.
A exposição ao chumbo na infância está associada ao desempenho escolar reduzido e com comportamento deliquente no futuro. Segundo o estudo, não existem níveis seguros de exposição a essa substância.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Potente diurético é testado no tratamento do Autismo

Pesquisadores franceses usaram um estudo de roedores para mostrar como o seu tratamento experimental para o autismo - o potente diurético bumetanida - pode virar um interruptor bioquímico no cérebro. Seu relatório aparece hoje na revista Science.

"Este estudo oferece a área de medicamentos descoberta no autismo uma nova intrigante mecanismo de ação a considerar ", comenta Autism Speaks diretor de Ciência Rob Ring.
A equipe de pesquisa do Instituto Francês de Saúde e Pesquisa Médica ( INSERM ) tem explorado usando bumetanide como um tratamento experimental para o autismo em pequenos ensaios clínicos com crianças. Os dois investigadores principais , psiquiatra Eric Lemonnier e fisiologista Yehezkel Ben- Ari , fundaram uma empresa que está desenvolvendo bumetanide como um tratamento de autismo. Uso aprovado pelo FDA do medicamento é para o tratamento de edema relacionado à insuficiência cardíaca congestiva ou doença renal.
Em seu novo estudo com animais, os pesquisadores administraram bumetanide a dois tipos de roedores antes dos animais grávidas deram à luz . ( Veja a figura acima.) Um tipo consistiu de camundongos com o gene defeituoso que causa a síndrome do X Frágil em humanos. O outro consistia em ratos expostos pré-natal ao valproato de drogas. Ambos alteraram comportamentos semelhantes a alguns sintomas de autismo.
Administração de bumetanida para os roedores grávidos imediatamente antes do nascimento apareceu para evitar que os filhotes de desenvolver comportamentos típicos do autismo. O seu comportamento não foi significativamente diferente daquela do grupo de comparação de ratos e ratazanas.
"É perfeitamente possível estar animado com resultados como este, mas é extremamente importante entender que isso não deve inspirar as famílias a considerar bumetanide como um tratamento para seus entes queridos ", enfatiza Dr. Ring . "Ainda há muitas coisas que não entendemos sobre como ele funciona , bem como algumas considerações óbvias de segurança que precisam ser rigorosamente explorado antes do seu uso no tratamento do autismo deve ser seriamente discutido. "
Tampouco foram os pesquisadores sugerem que as mulheres grávidas devam tomar a droga . Em vez disso, eles realizaram o experimento para testar sua teoria sobre como a droga afeta a bioquímica cerebral. De acordo com sua teoria, bumetanida pode indiretamente restaurar um "click" na bioquímica vital cujo fracasso pode levar ao autismo.
O interruptor de GABASua teoria é baseada em pesquisas anteriores sugerindo que a excitação prolongada de neurônios (células nervosas do cérebro ) pode ser , em parte, a culpa para o autismo. Isto conduziu a um grande interesse no neurotransmissor GABA , o qual pode inibir a sinalização do cérebro .
Mas as ações do GABA são nada simples. Durante o desenvolvimento do cérebro pré-natal , GABA parece excitar as células cerebrais. Então, no momento do nascimento , a ação do GABA parece mudar para um papel inibidor que continua ao longo da vida .
Algumas pesquisas sugerem que o "switch GABA " é virado por uma onda do hormônio ocitocina da mãe da criança. Se o interruptor não acontecer , os autores do estudo sugerem , os neurônios permanecem super-animado , produzindo autismo.
Em seu estudo , os pesquisadores encontraram evidências de que bumetanide restaura o interruptor GABA normal ao nascimento , reduzindo a níveis elevados de cloreto de dentro dos neurônios . O cloreto é um regulador chave das ações do GABA.

Ensaios clínicos anteriores

Em 2012, drs. Lemonnier e Ben- Ari informou sobre os resultados promissores de um pequeno ensaio clínico com 60 crianças com síndrome de Asperger , um tipo de autismo. Um curso de bumetanida diária de três meses reduzida temporariamente a gravidade dos sintomas do autismo em três quartos das crianças . O tratamento também produziu baixos níveis de potássio , efeito colateral comum da droga. Esta foi tratada com suplementos de potássio . Os investigadores estão agora a realização de ensaios clínicos adicionais na Europa.
"Os estudos em animais , como o que informou hoje são extremamente importantes para orientar a nossa busca por novos tratamentos do autismo ", diz Dr. Ring. "Mas eu gostaria de ver muitas pontas soltas ser amarrado antes deste composto em particular faz com que o salto para os ensaios com as pessoas. "
Por exemplo, Dr. Ring observa que os modelos animais utilizados no experimento representam , na melhor das hipóteses , uma pequena fatia das muitas causas subjacentes do autismo. Ele chama para um estudo mais aprofundado em uma ampla gama de modelos animais para orientar a concepção de futuros ensaios clínicos .
" Compreensivelmente , há uma tremenda pressão para mover tratamentos do autismo para a frente , porque temos muito poucos disponíveis", conclui Dr. Ring . " Por estas razões, temos de continuar a usar todos os nossos recursos para encontrar e desenvolver opções seguras e eficazes . "
 
Leia o texto original, em inglês, aqui

Três problemas (e soluções) para educar em 2014


 
“As crianças de hoje estão expostas na alma, exigidas demais intelectualmente e super protegidas fisicamente”. Ouvi essa frase da educadora Waldorf Luiza Lameirão em uma palestra e não me saiu da cabeça o que ela disse. De fato. Vamos por partes:

Problema 1 – “As crianças estão expostas em sua alma”: Por conta da solidão, de muitas vezes estarmos sozinhos com eles ou nos sentirmos assim na cidade grande, as crianças acabam servindo de confidentes dos adultos. Acessam histórias sobre nossos relacionamentos, finanças ou sobre o mundo cão que não conseguem digerir ou entender como solucionar. Vêem programas de TV inadequados e que são incapazes de compreender. E com isso ficam estressadas, ansiosas, tristes, doentes.

Solução: Essa é fácil. Tá triste? Liga pra amiga, pra mãe, vai pro parque andar na grama. Mas tome cuidado para não usar seu filho como apoio. Durante a infância, é ele quem precisa de você. Aliás, uma maneira de se alegrar é sair com ele pra brincar e esquecer seus problemas ao se envolver na alegria que naturalmente as crianças têm.

Problema 2 – “As crianças são exigidas demais intelectualmente”: Não tem nenhum pedagogo, psicólogo ou qualquer ser humano de bom senso hoje que não concorde que as crianças estão aprendendo a viver como adultas cedo demais, indo pra escola cedo demais, aprendendo inglês, mandarim e alemão cedo demais. Enquanto ainda deveriam estar envolvidas apenas em amor, em um lar, em fantasia e brincadeiras, são obrigadas a sentar em uma sala de aula e aprender qual é a raiz quadrada de 9. Até o governo obriga a isso. Outro dia ouvi uma professora de escola pública morrendo de dó de uma pequena e atormentada alma que, com apenas 4 anos, já estava no primeiro ano do ensino fundamental. “Ela simplesmente não tem capacidade de ficar sentada por 4 horas pensando. É um massacre”, me disse a moça.

Solução: Adie ao máximo o desenvolvimento do intelecto. Seu filho vai se dar melhor no mercado de trabalho* se ele puder, até ao menos os 6, 7 anos, se entregar à fantasia, às brincadeiras, ao seu colo e ao ócio que é tão bom para a infância. Não precisa aprender a usar o computador com 5, ele vai ter a vida toda pra isso. Se você deixar a escola pros 7 anos, que sorte ele vai ter em ganhar um ano a mais para o desenvolvimento que só se dá quando brinca. E, se ele já estiver ativando seu intelecto com essa idade, a brincadeira perde a qualidade, a fantasia vai perdendo espaço. E isso não tem volta lá na frente. Crianças que brincaram muito serão  mais criativas e resolvidas na fase adulta.
(PS: Vi que muita gente não acha relevante esse negócio de já pensar, na infância, se o filho vai se dar bem no mercado de trabalho e fico muito contente com isso. Coloquei essa história justamente porque, infelizmente, essa é a lógica da educação hoje: preparar para o mercado, não para a vida, que acontece a todo instante.)

Problema 3: “As crianças estão superprotegidas fisicamente”: É remédio demais, é vacina demais, é blusa demais. Não pode subir em árvore porque cai, não pode tomar banho de chuva porque pega pneumonia, não pode sair sem blusa porque pega virose, não caminha nem até a padaria porque o pai prefere levar de carro. Na escola, tem que ter câmera online para que os pais saibam exatamente o que o filho fez e se a professora deu a comida na boquinha na hora certa. Nessa mesma reunião de professoras, ouvi muitas delas reclamando que, mal fazia um ventinho e já tinha mãe ligando pra que a tia da escola vestisse o casaquinho no pequeno. Ou seja, assim matamos a capacidade de a criança sentir por si só e aprender o que é frio e calor, o que é chuva na cabeça, e tiramos de seu organismo a capacidade de se adaptar. Não suportamos a possibilidade de que ele pegue uma gripe nem catapora.

Solução: Deixe seu filho tomar uma chuvinha de vez em quando. Dê a ele a possibilidade de sentir frio e, quando perceber o que é, volte pra casa e peça um casaco. Mas que ele faça isso por si só ou você vai ter que passar a vida falando: filho, levou blusa? Porque ele mesmo não vai saber quando ela é necessária. Leve seu filho pra andar todo os dias. “O ideal seria que as crianças caminhassem ao menos 1 hora diariamente. Essa seria uma solução para uma série de problemas afetivos que as crianças têm hoje. Elas não se cansam fisicamente, não tiram do seu corpo tudo o que ele pode dar e a energia fica toda na cabeça”, diz Luiza Lameirão.
É isso. Se dá pra fazer tudo isso sempre? Talvez sim, pode ser. Mas tentar já é um bom começo. Bom final de semana!
Por Fabi Corrêa

Fonte: http://antesqueelescrescam.com/2014/01/31/tres-problemas-e-solucoes-para-educar-em-2014/

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um ambiente otimizado para a aprendizagem de pessoas com autismo

Compreender a maneira como o cérebro da sua criança funciona é crucial para poder oferecer a ela uma ambiente otimizado para a aprendizagem. Abaixo apresentamos um breve resumo de alguns dos estudos sobre o cérebro de crianças com autismo. Fonte: Inspirados pelo Autismo
Um Ambiente Otimizado para AutismoO autismo é referido como uma desordem de espectro devido à grande variedade de sintomas presentes em pessoas com o diagnóstico. Pesquisadores, utilizando tecnologias que possibilitam o estudo da estrutura cerebral, também afirmam que os cérebros de pessoas com o diagnóstico de autismo variam vastamente de um para o outro. Por consequência, alguns cientistas têm sugerido que devemos estudar não apenas a estrutura do cérebro, mas também o mecanismo em que neurônios (células cerebrais) individuais se conectam e comunicam para que encontremos o problema de conexão neural que afete todas as pessoas com autismo. Pesquisadores têm encontrado evidências de que a maneira com que alguns neurônios são conectados no cérebro de pessoas com autismo pode levar a uma correlação baixa entre sinal e ruído.

Isto significa que muitos dos sinais que as células cerebrais estão enviando umas para as outras talvez venham acompanhados de “barulho” ou “ruído”, como a estática em um sinal de rádio. Esta é uma das explicações do porquê crianças com autismo tornariam-se hiper-estimuladas por informações sensoriais e teriam então dificuldade para escolher entre duas fontes diferentes de informação. Por exemplo, é geralmente mais difícil para uma criança com autismo conseguir ouvir o que o professor fala quando outras crianças estão fazendo barulho. Estudos analisando a eletricidade no cérebro de pessoas com autismo mostram que mesmo quando elas estão tentando ignorar certos aspectos de seu ambiente (como o barulho em uma sala de aula), seus cérebros respondem a estas informações do mesmo jeito que respondem à informação que a criança está tentando prestar atenção (como a voz do professor).