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quinta-feira, 19 de abril de 2012


O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança


Gabriel é um menino esperto.
Cresceu ouvindo isso.
Andou, leu e escreveu cedo.
Vai bem nos esportes.
É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.
“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.
Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.
- “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.
Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.
A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.
Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.
Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Autismo e psicanálise

A relação transferencial com crianças autistas: uma contribuição a partir do referencial de Winnicott

Lívia Milhomem Januário; Maria Izabel Tafuri


07 de novembro de 2011

Psicol. clin. vol.22 no.1 Rio de Janeiro jun. 2010 

A relação transferencial com crianças autistas: uma contribuição a partir do referencial de Winnicott

Transferential relation with autistic children: a contribution from Winnicott's approach


Lívia Milhomem JanuárioI; Maria Izabel TafuriII
IMestra e doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura na Universidade de Brasília (UnB); Pesquisadora do Laboratório de Psicopatologia e Psicanálise do Instituto de Psicologia da UnB 
IIDoutora em psicologia clínica; Professora Adjunta de psicologia clínica na Universidade de Brasília (UnB); Coordenadora do Laboratório de Psicopatologia e Psicanálise do Instituto de Psicologia da UnB


As falhas na emergência da autoconsciência na criança autista - Carolina Lampreia



Olívia Balster Fiore-CorreiaI; Carolina LampreiaII; Flavia Sollero-de-CamposIII
IMestre e Doutoranda em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) 
IIDoutora em Psicologia Clínica; Professora do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Psicologia Clínica e do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) 
IIIDoutora em Psicologia Clínica; Professora do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)



RESUMO
Crianças com transtorno autístico apresentam falhas significativas na emergência da autoconsciência reflexiva. O objetivo do presente trabalho é analisar os processos envolvidos nestas falhas através de uma discussão das abordagens naturalista e construtivista no campo da filosofia, da neurociência, da psicologia do desenvolvimento e do transtorno autístico. Conclui-se que a abordagem construtivista permite uma melhor compreensão destas falhas, por considerar que elas advêm de prejuízos inicialmente inatos na capacidade de identificação afetiva destas crianças que prejudicam a interação social e o desenvolvimento da linguagem e, por conseguinte, sua capacidade autorreflexiva.
Palavras-chave: transtorno autístico, desenvolvimento infantil, autoconsciência.



INTRODUÇÃO
O transtorno autístico está inserido dentro dos transtornos globais do desenvolvimento, nos quais os sintomas para o diagnóstico devem ser identificados até os três anos de idade da criança (DSM-IV-TR, 2002). Sua definição envolve prejuízos qualitativos em três áreas principais: interações sociais, com a criança apresentando déficits severos em sua capacidade de iniciar, responder, manter ou estabelecer interações com as pessoas; comunicação, tanto considerando comportamentos comunicativos não-verbais, como gestos e sorrisos, e comportamentos comunicativos verbais, como vocalizações e fala; e comportamento – a criança apresenta comportamentos e interesses restritos e repetitivos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"The Wall", documentário proibido na França

Repórteres Sem Fronteiras: "documentário ameaçada por decisão judicial em documentário autismo"Imprimir Imprimir Obter uma versão em PDF desta página PDF21ShareAs ONG Repórteres franceses Sem Fronteiras (RSF) publicou em 07 de fevereiro de 2012 um comunicado em reacção à censura cara pelo filme "The Wall", após uma decisão judicial.Repórteres sem Fronteiras está profundamente perturbado por o precedente de um tribunal da cidade de Lille definido em 26 de Janeiro quando ordenou documentarista Robert Sophie para remover entrevistas com três psicanalistas de seu filme sobre o tratamento do autismo e de lhes pagar uma grande soma em prejuízos para "deturpar" suas opiniões.





"Ao basear a sua decisão sobre a forma como Robert escolheu para editar seu filme, o juiz assumiu o manto de crítico de jornalismo," Repórteres Sem Fronteiras disse. "Consequências A decisão de aumentar a sua gravidade. Mesmo que ela apela, Robert é agora à mercê de oficiais de justiça que estão exigindo o pagamento imediato de mais de 25.000 euros. Após a apreensão das filmagens entrevista original em outubro, ficamos chocados, mais uma vez pelo carácter desproporcionado da decisão do juiz.

O AUTISMO E SUA RELAÇÃO COM A PSICANÁLISE

fonte: http://www.celpcyro.org.br/v4/html/OAUTISMO.htm

Wanderley Manoel Domingues

A Psicanálise como ramo do conhecimento humano, necessitade uma grande renovação para sua própria sobrevivência. Suacontribuição para a compreensão dos fenômenos mentais foifundamental no século passado. As descobertas realizadaspor Sigmund Freud influenciaram enormemente o pensamentoocidental, determinando uma mudança consistente, inclusivenos procedimentos hospitalares no que tange ao tratamentode pacientes portadores de distúrbios mentais. O brilhantismointelectual de Sigmund Freud e sua visão de futuro foramfundamentais no pensamento moderno. Seus seguidores, MelanieKlein, Wilfred Bion, Winnicott, Margareth Mahler, entreoutros tantos, buscaram uma compreensão dinâmica dos processosmentais, gerando a construção de um edifício teórico substanciosoe de valor inestimável.

No entanto, o isolamento da Psicanálise acabou comprometendosua evolução como um todo. A concepção visionária de SigmundFreud - de que a bioquímica teria papel fundamental na compreensãodos fenômenos mentais, expressa em um de seus últimos trabalhos, Psicanáliseterminável e interminável - não foi levada em conta pelosseus diversos seguidores. A Psicanálise não se associou à pesquisacientífica com outras disciplinas. Traiu sua origem impactantee revolucionária, optando por um caminho acomodado numaprática clínica conservadora.
E o conhecimento científico evoluiu muito nas últimas décadas.