Dificuldades na fala e na interação social têm várias origens diferentes. Para especialistas, termo “doenças do espectro autista” é mais abrangente.
Tadeu Meniconi
Do G1, em São Carlos (SP)
fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/01/autismo-pode-ser-apenas-sintoma-de-uma-sindrome-mais-grave.html
Dificuldades para aprender a falar, problemas de interação social e
movimentos repetitivos sem nenhum motivo aparente são os sintomas mais
conhecidos do autismo. Mas essa condição não é uma doença por si só,
pode ter várias origens diferentes, e pode ser apenas o indício de uma
síndrome mais complexa.
Além disso, há vários graus diferentes do problema, e por isso os
especialistas preferem o termo “doenças do espectro autista”. “Inclui
desde a forma clássica, a criança isolada que não comunica e não fala,
mas tem as formas mais leves”, explicou Maria Rita dos Passos Bueno, que
pesquisa a genética do autismo no Instituto de Biociências da
Universidade de São Paulo (USP).
Maria Rita dos Passos Bueno durante palestra em São Carlos (SP). (Foto: Tadeu Meniconi / G1)
A síndrome de Asperger é uma dessas formas mais leves, uma das doenças
menos graves do espectro. As crianças aprendem a falar na idade normal,
mas têm problemas para se integrar à sociedade. Porém, mesmo dentro do
grupo dos que têm essa mesma doença, há diferentes níveis de isolamento.
“Existem alguns que conseguem romper essa dificuldade e se adaptam, e
tem outros em que não têm o que se fazer, não se adaptam nunca”, relatou
a pesquisadora.
Bueno cita também algumas doenças complexas que têm o autismo como mais
uma das consequências causadas. A síndrome de Rett provoca, além do
autismo, dificuldades motoras que podem até levar à necessidade da
cadeira de rodas.
Já a síndrome do X frágil pode provocar autismo, mas tem como
característica mais grave o retardo mental. Além disso, traz alterações
no tamanho dos testículos, das orelhas e mudança no formato do rosto,
que fica mais alongado.
“Essas crianças têm um monte de outras coisas além de autismo, o
autismo é como se fosse um sintoma de um quadro mais complexo”, conclui a
cientista.
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